Cemitério Ortodoxo


Marco Histórico:
História narrada em versos sobre a saga do resgate e da importância do legado histórico do maior cemitério Ortodoxo do Brasil e América do Sul, que se transformou em um ponto turístico. Aqui repousa e se encerra o ciclo da derradeira história dos bravos pioneiros e descendentes, como sentinelas do tempo, 110 anos após o início da jornada e da obra desbravadora dos longos caminhos da esperança, são reverenciados, homenageados, um justo tributo resgatando o seu legado para a eterna memória (vetchnaia pamiat), marcas que nem o tempo apagará, reflexão em versos inspirados num sonho de madrugada.

I
Como sentinela do tempo
Perpetuando gerações,
Em Campina das Missões
No interior da Linha Paca,
Espaço que se destaca
Fazendo parte da história.
É a Svetaia Rússia em memória
Para nossos imigrantes
Que lutaram como gigantes
Para conquistarem a vitória.
II
O cemitério Ortodoxo
Que aos descendentes comove,
Pois foi em mil novecentos e nove
Quando tudo começou,
E o campo santo se transformou
Em descanso permanente,
Pois aqui está presente
Um enfileirado de cruzes,
E muitos clarões de luzes
Que orgulham nossa gente.
III
Cruzes ortodoxas de 8 pontas
Estão neste derradeiro abrigo,
Cercadas por soja e trigo
Nossas principais culturas,
E os irmãos nas sepulturas
Para o descanso derradeiro,
É o ciclo da vida parceiro
Que devemos refletir
E a caminhada seguir
No comando do Escudeiro.
IV
Para não apagar a memória
Tem a cruz de madeira,
Ela foi à primeira
A ser colocada no recinto,
A outra é de dois mil e cinco
Que ela foi erguida
Preservada e protegida,
Com cinco metros de altura,
Resistindo com bravura
Com mármore, guarnecida.
V
Até um casal de João de barro
Fez nela sua morada,
Uma morada abençoada,
Para formar família
E como uma luz que brilha,
Ficou muito lindo o cenário
Parecendo um relicário,
No alto de uma coxilha.
VI
Cento e dez anos se passaram,
No calendário está marcado.
O primeiro marco cravado,
aqui no alto da coxilha
Também na Santa Cecília
E na Linha Buriti.
Na Oito de Maio também vi.
São espaços sagrados,
Onde estão antepassados
Que viveram por aqui.
VII
Chegaram no século passado
Para habitar esta querência.
Enfrentaram a resistência,
Mas foram perseverantes,
Traziam em seus semblantes
Objetivos bem traçados.
Fatos que estão registrados
Até nos velhos jazigos,
Nos derradeiros abrigos
Onde jazem sepultados.
VIII
Uma cruz de puro cerne
Resiste o passar do tempo,
Cravada bem ao relento
Registra importante fato,
Mil novecentos e vinte e quatro
Simboliza a ascensão aos céus,
Onde cada um dos seus
Rezam com muito fervor,
Ao altíssimo Salvador
Nosso único e amado Deus.
IX
Neste ano as tropas revolucionárias
Rondavam toda a região,
Era grande a perseguição
Ao esclarecimento, intelectual,
Coisa fora do normal
Mas que acontecia de fato
Pois cometeram o assassinato
Do Alexandre, exemplo de professor,
Causando, tristeza e dor
Conforme consta no relato.
X
É o mártir dos imigrantes
Taxado de subversivo e comunista,
Defendia seu ponto de vista,
Por isso foi torturado
Sendo na Linha Palmeiras encontrado.
Por isso na praça São Vladimir
Decidiram um busto construir,
Para ele que andou nos trilhos
Deixando órfãos, esposa e dois filhos,
Para os seus passos seguir.
XI
Como se não bastasse
Outro assassinato aconteceu,
Fato que entristeceu
A nossa grande região,
Foi grande a comoção
Naquele enlutado dia
Pois o padre e o coroinha,
Do Feijão Miúdo, Três Passos
Sempre estendiam os braços,
Para quem necessidade tinha.
XII
Com a benção de Nosso Senhor
E do Apóstolo São João Evangelista,
Jamais sairemos da pista
E a vida terá sentido,
Cada um, comprometido
Com a sua comunidade,
E assim em irmandade
Rezamos com fé a panihida,
Que abençoe cada vida
No interior e na cidade.
XIII
O Padre com o candilo e água benta
O sacerdote com a mirra e incenso,
Entre todos é um consenso
A unção nas sepulturas,
Para que aquelas criaturas
Na sua eterna morada,
Está guardada a caminhada
Nesta passagem terrena,
De forma calma e serena
Para encerrar a jornada.
XIV
Este campo Santo Ortodoxo
Faz parte da história,
Até um livro em memória
Em noventa e oito foi lançado,
Nele está registrado
Os feitos da nossa gente,
Que no passado e no presente
Tem feito a diferença,
Graças a fé e a crença
Que cada um traz na mente.
XV
Uma semana após a Santa Páscoa
Radonitza: Dia de Finados é comemorado,
Eterna memória em oração Pascal lembrado
Padre, orações, velas, flores e seu mistério
Eterna memória deste cemitério.
Oblação terminada, as crianças enfileiradas
Recebem balas, ovos, doces das bábas
Para lembrar o espírito das pessoas amadas.
XVI
Hoje é um ponto turístico
E bastante visitado,
Muito tem nos orgulhado
Este sagrado lugar.
E para reverenciar
Um palco ali foi montado,
O Grupo Troyka tem se presentado,
Com muito encanto e beleza
Em frente a Cruz e a Igreja,
Neste local abençoado.
XVII
Já recebeu visitas importantes
Autoridades, Prefeito, Cônsul e Embaixador
Bispos, Metropolitas do exterior
Veio até o Reitor de Universidade afamada
Pelos acadêmicos estudada
Nos bancos universitários
Para fazer os corolários
De pesquisa modernizada
Para ser inserida e bibliografada
XVIII
É o berço da cultura russa
No Rio Grande e no Brasil.
Terra de um povo gentil
Trabalhador e hospitaleiro,
Que leva para o mundo inteiro
Sua crença e a cultura,
Gente de fé e bravura
Que jamais desanimaram,
E a todos ensinaram
Algo que até hoje perdura.
XIX
Para reverenciar este cemitério
Veio até o jornal Zero Hora,
A imprensa lá de fora.
De São Paulo, o Estado e o SBT.
Do Rio, a Globo e a nossa RBS-TV.
O Globo Repórter mostrou
A Globo News divulgou,
E foi destaque na revista Veja
Somos o bolo com cereja,
Que a cada um encantou.
XX
De forma especial reverenciamos
Nossa imprensa regional,
A Gazeta do Povo, nosso jornal local
Pelo apoio prestado,
Muito tem nos ajudado
Nessa divulgação,
Vamos juntos em oração
Agradecer ao Pai Santo Salvador.
Que ele derrame seu louvor
Sobre a nossa nação.
XXI
Foram mostrados com detalhes
Lápides de anjos índios barrocos,
São inéditos, são poucos
A exemplo das Ruínas Missioneiras,
Que lembram lutas guerreiras
Dos nossos antepassados,
Feitos que são lembrados
Pois marcaram uma trajetória
Que ficará para a história
Em nossos anais registrados.

Autor: Jacinto Anatólio Zabolotsky
Poema em homenagem aos 110 anos da imigração Russa (1909 / 2019)
Com aprovação eclesiástica.
Campina das Missões-RS, 06 de outubro do Ano do Senhor 2019

Poema cuja placa foi descerrada em 06.10.2019 (a direita do portal), abençoada por Sua Eminência, Metropolita Dom Inácio, sendo que se comemora no dia 09.10 de cada ano, em homenagem a obra desbravadora. Na oportunidade foram celebrados os:
111 anos da Imigração Russa (1909-2020);
Dia 09.10: Dia da Etnia Russa (Lei 13.156/2008);
Dia 09.10: Dia do Patrono da Igreja Ortodoxa Apóstolo São João Evangelista;
Dia 09.10: Dia do Município de Campina das Missões (1963-2020) e “Berço Estadual da Cultura Russa” Lei nº 15.649/2021.

Jacinto Anatólio Zabolotski