O sentido da vida


A humanidade vive hoje um momento excepcional, extraordinário, estamos fazendo hoje o que há bem pouco tempo atrás só era permitido a Deus.

O advento da ciência é algo espantoso, pois se voltarmos a apenas 50 anos quem de nós iria imaginar de que com um pequeno aparelho falássemos e tivéssemos imagens em tempo real em qualquer lugar do nosso planeta, essa janelinha permitiu-nos fazer com que o mundo passasse por dentro dela. A capacidade humana em desenvolver as novas tecnologias, carimbou o sujeito pós-moderno como o ser mais inteligente de todos os tempos de sua trajetória histórica.

O advento dessa inteligência cientifica e tecnológica abriu-nos os caminhos para que tivéssemos até mesmo uma sobrevida, pois aumentamos nosso tempo de vida biológico. Estamos presentes em todas as instâncias geracionais que envolvem a vida terrena, isto é, na tecnologia da comunicação, na medicina, nas indústrias em todos os seus segmentos, seja ela alimentícia, automobilística, nas edificações de nossas casas e edifícios, na educação, na economia, e agora vem a inteligência artificial, enfim, o ser humano de hoje é, sem dúvidas o mais evoluído que a espécie já desenvolveu.

Mas ao mesmo tempo em que tudo isso acontece, estamos vivendo também uma das piores crises de nossa história, uma contradição profunda está em curso nas barbas desse tão espetacular desenvolvimento cientifico do mundo contemporâneo.

Guerras, massacres, assassinatos, fome, intolerância, racismo, exclusão, destruição de nossos recursos naturais não renováveis, como nossas matas, fontes de água, nossos animais, o ar que respiramos, e que com essa prática proporciona eventos climáticos de grandes destruições, a ganância pelo poder econômico é um dos pivôs centrais desse grande equívoco da humanidade.

A pergunta que fica é: Valeu a pena tudo isso? Com toda essa tecnologia a nossa disposição não era para nós estarmos vivendo em um estado de paz, em um mundo mais justo e mais consciente sob todas as coisas? Será mesmo que temos condições de gerenciar o planeta?  O sociólogo Boaventura de Sousa Santos nos disse que:

estamos caminhando para o fim de uma civilização”.

 Será mesmo?

Recuso-me a aceitar tal afirmação, mas ao mesmo tempo também estou perdendo a confiança, o encantamento, a coragem, ao ver tanta desordem e tanta desgraça que estamos produzindo.

De nada adianta termos desenvolvido tamanha capacidade científica se estamos nos matando uns aos outros, e o que é pior, matando também o único lugar que nos possibilita a vida e a sequência de nossa trajetória histórica, o planeta em que vivemos.

Certo dia, em um programa de televisão com estudantes, perguntaram para o Dr. Eneas Carneiro, qual era o sentido da vida. Sua resposta ecoa até hoje em minha mente.

“O sentido da vida é para mim, enquanto tiver um ser humano passando fome, enquanto tiver uma criança virando lata de lixo, a vida não tem sentido para mim. Quando eu não me sentir mais útil, quando eu pensar só em mim mesmo, eu não tenho mais o direito de viver”.

O sentido da vida para mim[1] é, e é essa a mensagem que quero deixar aqui, é a de que ainda é possível, desejo com todo meu coração de que surja uma nova geração que desmonte este estado de coisas que nos metemos, que preserve nosso planeta e que não deixe ninguém mais passar fome, porque alimento existe, e que respeite seu semelhante, pois somos feitos da mesma matéria, respiramos o mesmo ar e que tudo o que for vida precisa deve estar em primeiro lugar. Ainda é possível.

Dalmiro Volnei Silva


[1] Dalmiro Volnei Silva. Sociólogo – Teólogo e historiador. Reside em Três Passos – RS