O sol brilha e, é ardente
Vento sopra nome forte
Tem minuano e ventania
Índio presente no vento norte
Na tal lenda do vento quente
Grande feitura de vida e morte
Antes dos sinos a algaravia
Justo o espanto do guairacá
Na chuva farta do inhacorá
De gota em gota no cabedal
Som do silêncio na noite fria
Sapos em festa no banhadal
Na boa terra que foi guria
Que já mais moça, se apresentou
Querência chucra da alegria
Viveu as glórias de uma jornada
Nos velhos tempos de autonomia
Ecoavam gritos na madrugada
Essa bugrada vivia em festa
Aqui em cima na densa mata
Donos do chão da alta floresta
Com seus irmãos e outros buenachos
Cobrindo a área dos pampas de baixo
Fazia: lanças, pinturas, penachos
Nossos rios não tinham nome
No entremeio, um paraíso
A terra farta de um só povo
Dava aquilo que é preciso
A tradição não colhe o novo
Só reserva o impreciso
Natureza faz riqueza
Tem no ouro o próprio brilho
O que é visto e dá retorno
Deixa a parte, limpa um trilho
E o que fica no abandono
Leva junto o andarilho
Essa terra tinha dono
Outros donos se achegaram
Nesses novos improvisos
Desses povos e as chegadas
Europeus, desbravadores
Tais colonos e as enxadas
Hoje bem me localizo
Sou de um tempo anotado
Temos mapas e registros
Tudo isso eu analiso
Desse quadro desbotado
Eu não faço mau juízo
Contaram-me muita história
E eu bem sei que pouco sei
Nesse sangue de europeu
Sangue índio também tem
Também vejo mais misturas
Nas leituras que convém
Entre as águas, Santa Rosa
Noutro lado o Buricá
Um só povo misturado
Uma lenda conjurada
Nessa luta empolvorada
Arranhões de maricá
Os tropeiros que passavam
Com seus fogos pra assar
Nos churrascos a empreitada
Flor de Maio na parada
Em Caúna uma picada
Pra Manchinha atravessar
Numa volta a Consolata
Com a sombra do umbu
Três de Maio é uma data
Grande marco curumim
Pronta chave de uma glória
Que abrange o Quaraim
Quatro cantos bem notados
Os vizinhos já conhecem
Pro Rio Grande; bem gaúchos
Nossos feitos favorecem
Nessa história TRÊS-MAIENSE
Os gaudérios se enaltecem
Jorge da Luz

