Loro-cravo


Orpídio está a seis dias parado, olhando para o alto de uma árvore. Tira o chapéu, coça a cabeça, mastiga o cigarro de palha e pigarreia. Aproxima-se do tronco, pega um canivete, retira um pedaço da casca e é possível ver as veias rubras da planta. Faz uma menção de reza e volta ao gesto inicial. Dizem que está fora do ar e não diz coisa com coisa há anos. As crianças atiram pedras sobre o seu portão.

Trecho do conto Loro-cravo, parte integrante de obra homônima (no prelo), escrita por Renato Pereira.