Sobejos de amor


Eis que aqui estou,
Uma nuvem em meu olhar,
Com as pernas a cambalear,
Já sem forças,
Quase sem vida,
Extasiado ante a sua mesa sortida,
Prostrado de tanto amor.

A turba faminta se delicia,
Ao sorver de teus lábios o mel,
Enquanto o amargo fel,
Que transborda
Dentro do meu ser,
Tira-me a força de viver,
Embebendo minha pobre alma.

Deixai cair ao menos um sobejo,
Da tua rica mesa,
Onde refulge tanta beleza!
Meus lábios, então, sussurram:
Um beijo, ou apenas um sorriso,
Me dariam por certo o paraíso,
E eu morreria sem dor.

Carlos Pedroso dos Santos

Página 11, Sobejos de Amor. / Carlos Pedroso dos Santos – Cascavel: Superpress, 2022.